Desenvolvimento da comunicação infantil requer atenção, destaca fonoaudióloga do PAS
A comunicação é uma das habilidades mais importantes para o desenvolvimento infantil, influenciando diretamente as relações sociais, a aprendizagem e o desempenho escolar. Desde os primeiros dias de vida os bebês se comunicam por meio do choro, expressando necessidades básicas. Com o passar dos meses surgem os balbucios e a repetição de sílabas. Por volta do primeiro ano de vida é esperado que a criança comece a pronunciar palavras simples, como “mamãe”, “papai” e “água”. Entre os 2 e 3 anos de idade geralmente já é capaz de formar pequenas frases.
Segundo a fonoaudióloga do Padre Albino Saúde, Jaqueline Vasconcelos, embora esse processo ocorra naturalmente para a maioria das crianças, algumas podem apresentar dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem. “É importante compreender que fala e linguagem são conceitos distintos. A fala refere-se à produção dos sons utilizados na comunicação, enquanto a linguagem envolve a capacidade de compreender, organizar pensamentos e expressar ideias, seja de forma verbal ou não verbal”, explica.
Entre as alterações mais frequentes relacionadas à fala estão os desvios fonológicos, caracterizados pela troca, omissão ou substituição de sons nas palavras, além da apraxia de fala na infância, transtorno neurológico que afeta o planejamento e a coordenação dos movimentos necessários para a produção da fala, disartria e gagueira. Já os transtornos que afetam diretamente a linguagem envolvem dificuldades na aquisição, compreensão, expressão ou uso da linguagem. Entre os principais estão o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), considerado o principal transtorno específico da linguagem, com prejuízos na compreensão e/ou expressão linguística; o Transtorno do Espectro Autista, que pode apresentar alterações importantes na comunicação social e na linguagem verbal e não verbal; a deficiência intelectual, em que o desenvolvimento da linguagem costuma acompanhar as limitações cognitivas globais e a perda auditiva, que interfere na aquisição e no desenvolvimento da linguagem oral, especialmente quando ocorre precocemente. As alterações também podem estar associadas a condições genéticas, como a Síndrome de Down.
Jaqueline Vasconcelos destaca ainda que fatores ambientais podem influenciar negativamente esse processo de aprendizagem. “O uso excessivo de telas, como smartphones, tablets e televisão, especialmente em crianças menores de dois anos, pode prejudicar a comunicação e a linguagem. Isso ocorre porque as telas não substituem as interações humanas, fundamentais para a formação dos vínculos sociais”, alerta.
A orientação é que os responsáveis acompanhem atentamente os marcos do desenvolvimento infantil e procurem ajuda profissional sempre que perceberem algum atraso ou comportamento diferente. Para os casos em que já existem sinais de dificuldades na fala ou na linguagem, a fonoaudióloga reforça que o mais importante é buscar intervenção precoce. “O acompanhamento geralmente ocorre por meio de exercícios e atividades voltadas ao estímulo da fala, da comunicação e da linguagem da criança. Em alguns casos, o atendimento pode ser multidisciplinar, contando também com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, fisioterapeutas, odontopediatras e nutricionistas. Além disso, a participação da família é essencial durante todo o processo terapêutico, auxiliando na continuidade dos estímulos e das atividades em casa, o que contribui diretamente para a evolução e desenvolvimento da criança”, lembra.
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