Menopausa exige mais informação e acolhimento, ressalta ginecologista do PAS
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo encerramento do ciclo menstrual após 12 meses consecutivos sem menstruar. Geralmente, ela ocorre entre os 45 e 55 anos, embora algumas mulheres possam apresentar sintomas antes desse período, durante o chamado climatério, fase de transição hormonal que antecede a menopausa. Apesar de ser processo biológico natural, a menopausa ainda é cercada por tabus e desinformação, especialmente no ambiente de trabalho. Em muitos casos, os sintomas físicos e emocionais acabam impactando diretamente a rotina profissional, a produtividade e até mesmo a saúde mental das mulheres. Segundo estimativas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), cerca de 17 milhões de mulheres brasileiras estão no climatério e aproximadamente 9 milhões já passaram pela menopausa. Estudos também apontam que 82% das mulheres entre 40 e 65 anos convivem com sintomas relacionados a essa fase, muitas vezes sem diagnóstico ou tratamento adequado.
De acordo com Vitória Lopes, médica ginecologista do Padre Albino Saúde, durante a menopausa ocorre queda significativa na produção dos hormônios estrogênio e progesterona, responsáveis por diversas funções no organismo feminino. “Essa alteração hormonal pode provocar sintomas físicos, emocionais e cognitivos que afetam diretamente a qualidade de vida. Entre os principais sinais estão as ondas de calor, sudorese noturna, insônia, cansaço excessivo, alterações de humor, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, dores articulares, ganho de peso e diminuição da libido”, ressalta. No ambiente profissional esses sintomas, ainda segundo a médica ginecologista, podem gerar desconforto e dificuldades no desempenho das atividades. “As ondas de calor, por exemplo, tornam-se ainda mais intensas em ambientes fechados e pouco ventilados. Já a insônia pode comprometer o sono e provocar fadiga ao longo do expediente. A dificuldade de concentração e as alterações emocionais também podem impactar a produtividade e as relações interpessoais no trabalho”, lembra.
Pesquisa realizada pela Chartered Institute of Personnel and Development, principal associação profissional e órgão regulador global para profissionais de Recursos Humanos e desenvolvimento de pessoas, revelou que 79% das mulheres relataram diminuição na capacidade de concentração durante a menopausa, 68% citaram aumento no nível de estresse, 49% apontaram menor paciência com colegas e clientes e 46% afirmaram sentir redução na disposição física para executar suas atividades profissionais. Para amenizar as complicações decorrentes deste período hormonal nas mulheres, especialistas em Recursos Humanos defendem que as empresas precisam reconhecer os impactos dessa fase e promover ambientes mais acolhedores para as mulheres. Entre as medidas que podem contribuir estão a flexibilização da jornada de trabalho, ambientes mais ventilados, apoio psicológico, campanhas de conscientização e capacitação de líderes e gestores para lidar com o tema de forma mais humanizada.
Vitória Lopes alerta que, embora a menopausa seja processo natural, o acompanhamento médico é fundamental para aliviar os sintomas e prevenir complicações relacionadas à queda hormonal. “A recomendação é procurar um ginecologista assim que surgirem alterações menstruais importantes, ondas de calor frequentes, dificuldades para dormir, mudanças emocionais intensas ou sintomas que prejudiquem a qualidade de vida”, destaca.
Foto: Divulgação
