Nutricionista do PAS alerta para impactos da obesidade na saúde da população
O crescimento da obesidade no Brasil tem chamado a atenção de especialistas e autoridades de saúde. Nas últimas duas décadas a prevalência da doença no país aumentou 118%, segundo dados do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. O avanço está associado às transformações no estilo de vida da população, como mudanças nos hábitos alimentares, maior consumo de alimentos ultraprocessados e redução da prática de atividades físicas. O cenário se torna ainda mais preocupante quando envolve crianças e adolescentes.
De acordo com o World Obesity Atlas 2026, da Federação Mundial de Obesidade, o Brasil registra quase o dobro de jovens com excesso de peso em comparação com a média global. A tendência acende um alerta para os impactos da obesidade ao longo da vida e reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção e incentivo a hábitos saudáveis desde a infância. Para a nutricionista do Padre Albino Saúde, Rafaela Moraes, o crescimento da obesidade está diretamente ligado ao elevado consumo de alimentos altamente calóricos, especialmente os ultraprocessados, aliado ao sedentarismo. “Isso acontece porque com o nosso estilo de vida atual mais acelerado, a capacidade de diferenciar a fome da saciedade tem ficado cada vez mais distante da rotina das pessoas. Muitas vezes comemos assistindo televisão, usando o celular ou em ambientes barulhentos, sem prestar atenção no que realmente estamos consumindo”, explica.
Sobre a obesidade, a nutricionista destaca que é uma condição genética, multifatorial e pode se manifestar ainda na infância. “Sabemos que cerca de 50% das crianças obesas se tornarão adolescentes obesos e aproximadamente 80% desses adolescentes poderão se tornar adultos obesos. No ano passado, pela primeira vez no Brasil, o número de pessoas obesas ultrapassou o número de desnutridos”, afirma. Entre os principais problemas de saúde associados à obesidade estão hipertensão arterial, diabetes, intolerância à glicose, colesterol elevado e problemas ortopédicos. Rafaela Moraes reforça que pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença na prevenção e no controle da doença. “Manter uma alimentação equilibrada, com consumo diário de frutas, verduras, legumes e alimentos naturais, reduzir consideravelmente o consumo de produtos industrializados e bebidas açucaradas, praticar atividades físicas regularmente e respeitar os sinais de fome e saciedade do corpo são atitudes fundamentais para uma vida mais saudável”, orienta.
Outra dica importante é organizar a rotina alimentar, evitando longos períodos em jejum e priorizando refeições feitas com atenção plena e tranquilidade. Dormir bem, beber bastante água e limitar o tempo excessivo em frente às telas também contribuem para o equilíbrio do organismo e ajudam no controle do peso.
Foto: Divulgação PAS
