Saúde mental: o cuidado começa antes de o sofrimento aparecer
Para Kézia Veitas, psicóloga do PAS, o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina
Cuidar da saúde mental não deveria ser preocupação apenas quando algo começa a dar errado. Assim como acontece com a saúde física, a prevenção e os cuidados contínuos podem ajudar a preservar o bem-estar e a qualidade de vida. Ter momentos de descanso, manter relações saudáveis, reconhecer as próprias emoções e encontrar espaço para atividades prazerosas são atitudes que fazem parte desse processo.
Para Kézia Veitas, psicóloga do Padre Albino Saúde/PAS, não existe fórmula única para cuidar da saúde mental. “Cada pessoa precisa encontrar aquilo que funciona para sua realidade. Para algumas, pode ser praticar atividade física; para outras, estar com amigos, ter um hobby, passar um tempo em contato com a natureza ou simplesmente conseguir descansar. O importante é que o cuidado não seja deixado sempre para depois,” destaca. Ainda segundo a psicóloga, ter pessoas com quem conversar e compartilhar experiências pode ajudar a enfrentar períodos difíceis. Ao mesmo tempo estabelecer limites em relações que provocam desgaste também faz parte do cuidado emocional. “Relacionamentos também precisam de equilíbrio. Ter rede de apoio é importante, mas isso não significa estar disponível o tempo inteiro ou assumir responsabilidades que ultrapassam os nossos limites. Aprender a dizer não e reconhecer aquilo que conseguimos oferecer também é uma forma de preservação”, afirma a psicóloga.
Kézia também lembra que alguns sinais de sofrimento emocional merecem atenção, principalmente quando passam a interferir na rotina, nos relacionamentos ou na qualidade de vida. “Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, irritabilidade, alterações no sono ou no apetite, falta de disposição e dificuldade para lidar com situações que antes eram enfrentadas com mais facilidade podem indicar a necessidade de olhar com mais cuidado para a saúde mental. Nessas situações é sempre muito importante não enfrentar o sofrimento sozinho. A busca por acompanhamento especializado pode ajudar a compreender o que está acontecendo, identificar as necessidades de cada pessoa e encontrar estratégias adequadas para lidar com as dificuldades. Costumo dizer que o acompanhamento psicológico, quando necessário, deve ser encarado como parte do cuidado com a saúde e não apenas como medida tomada diante de situações mais graves,” reforça.
Nessas situações também é possível procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188. A ligação é gratuita e funciona 24 horas por dia. O atendimento é realizado por voluntários preparados para ouvir com empatia, respeito e sem julgamentos.
Foto: Divulgação PAS/Magnific
