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Uso inadequado de canetas emagrecedoras pode trazer riscos à saúde dos jovens, alerta pediatra do PAS

O uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem despertado a preocupação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), especialmente quando utilizado por crianças e adolescentes sem indicação ou acompanhamento médico. A entidade alerta que, embora esses medicamentos possam fazer parte do tratamento de algumas condições, seu uso não deve ser banalizado nem associado apenas à busca por padrões estéticos. A recomendação ganha importância diante da popularização desses medicamentos nas redes sociais, onde informações sobre emagrecimento muitas vezes são apresentadas de maneira simplificada e sem considerar as particularidades de cada paciente. Segundo a SBP, o uso inadequado pode aumentar o risco e a gravidade de efeitos adversos, além de trazer consequências para o crescimento, o desenvolvimento e a saúde emocional de crianças e adolescentes.

Entre os possíveis problemas estão desidratação, alterações nos níveis de eletrólitos, perda de massa muscular, pancreatite e alterações na vesícula biliar. Os efeitos mais frequentes são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação, especialmente durante o período de ajuste das doses. Para a pediatra do Padre Albino Saúde, Dra. Caroline Santiago Bordenalli, a avaliação individualizada é fundamental quando se trata da saúde de crianças e adolescentes, especialmente em questões relacionadas ao peso e ao desenvolvimento. “A orientação médica deve considerar a fase de crescimento, o estado nutricional, os hábitos de vida e as condições de saúde de cada paciente, evitando que decisões sejam tomadas a partir de padrões impostos pelas redes sociais”, ressalta.

Ainda segundo a nota da Sociedade Brasileira de Pediatria, a busca por emagrecimento pode funcionar como gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de favorecer ansiedade e sofrimento relacionados à imagem corporal. Por isso, a entidade reforça que adolescentes com peso adequado não devem utilizar esses medicamentos apenas para modificar a aparência ou alcançar determinado padrão estético, pois mesmo quando existe diagnóstico de obesidade ou diabetes tipo 2 a prescrição não é automática. A SBP segue recomendando que a expressão “canetas emagrecedoras” seja substituída por “medicamentos para tratar a obesidade”. A mudança busca reforçar que a obesidade é doença crônica e que o objetivo do tratamento deve estar relacionado à saúde e à qualidade de vida e não somente à perda de peso.

Outro alerta envolve produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A utilização desses produtos amplia os riscos justamente pela ausência de garantias quanto à composição, à qualidade e à segurança. Além dos efeitos gastrointestinais, considerados os mais comuns, há eventos potencialmente graves, como pancreatite, hipoglicemia e formação de cálculos na vesícula.

Foto: Divulgação PAS